Caso Betânia

Júri de acusado de matar ex-mulher a tiros em Santa Maria tem data marcada

Camila Gonçalves

Foto: Jean Pimentel (Diário)
Ex-marido da vítima é autor confesso do assassinato

Prestes a completar cinco anos do assassinato da bancária Betania Furlan Miolo, 33 anos, o ex-marido dela, Eldemir Luiz Miolo, 40 anos, acusado de ter cometido o crime, deve falar pela primeira vez sobre o caso. O julgamento será no dia 28 de novembro, às 10h, no Salão do Júri do Fórum de Santa Maria. De acordo com o advogado do réu, Bruno Seligman de Menezes, será a primeira vez que Miolo dará a sua versão sobre o que aconteceu. Nas fases da investigação policial e das audiências no Judiciário, Miolo havia ficado em silêncio.

O réu responde por homicídio doloso com recurso que dificultou a defesa da vítima e motivo fútil. Na época, ainda não era prevista a qualificadora de feminicídio, quando uma mulher é morta pela questão do gênero. A lei do feminicídio (13.104) foi aprovada em 2015. O crime também passou a ser considerado crime hediondo.

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De acordo com a sentença de pronúncia, assinada pelo juiz Michael Luciano Vedia Porfirio, Miolo teria cometido o crime por não aceitar a separação. O fato aconteceu no dia 7 de setembro de 2013, no Bairro Camobi, Região Leste de Santa Maria. Betania (foto ao lado) havia ido levar o filho, na época com 6 anos, na casa da sogra, que morava na casa nos fundos da residência do casal, na ERS-509, a Faixa Velha de Camobi.

De acordo com uma das testemunhas, que é tio do acusado e vizinho do casal, Miolo teria tentado obrigá-la a entrar no carro dele, e, então, eles teriam discutido. O homem também presenciou o momento em que o réu atirou contra a ex-mulher atingindo o abdome dela. Betania teria caído, e Miolo teria desferido mais quatro tiros, que atingiram a cabeça da vítima. Os dois filhos do casal, uma menina de 18 anos e um menino de 11 anos, moram com os avós maternos, que têm a guarda definitiva dos netos.

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- Devido à gravidade do fato, esperamos que todas as qualificadoras sejam reconhecidas pelos jurados, até mesmo para dar uma resposta à sociedade de Santa Maria - disse o advogado Guilherme Motta, assistente de acusação no caso.

A defesa de Miolo recorreu da sentença de pronúncia pedindo a retirada das qualificadoras, mas os recursos não foram acolhidos. De acordo com Bruno Menezes, a apelação trazia questões técnicas.

- Nós respeitamos toda a acusação e toda a dor causada na família da vítima, mas vamos demonstrar o que aconteceu, afastando qualquer excesso que tenha sido atribuído a ele ao longo deste processo - declarou o advogado.

Miolo chegou a ser preso na época do fato, mas responde ao processo em liberdade desde novembro de 2013.

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